
A Felicidade Não Se Compra (It’s a Wonderful Life, 1946) trata da história de George Bailey (James Stewart), sujeito que, por conta das circunstâncias e do seu caráter altruísta, viu seus sonhos esvanecerem-se na realidade. Ainda criança, George perdeu a audição de um dos ouvidos após salvar a vida do irmão caçula. Adulto, teve que abandonar a oportunidade de entrar para uma faculdade ao assumir os negócios do pai recém-falecido: uma firma de crédito que financiava a casa própria aos menos favorecidos de sua cidadezinha (Bedford Falls). A partir deste ponto, George compra briga com um poderoso banqueiro local, o sr. Henry Potter (Lionel Barrymore). Muito parecido com o frio e avarento sr. Scrooge do já citado conto natalino de Dickens, o sr. Potter procurava explorar aqueles a quem George tentava ajudar e, num lance de sorte, consegue levar nosso bom homem à bancarrota, justo na véspera de Natal. Desesperado, George tenta o suicídio, no que é impedido por Clarence (Henry Travers), um anjo de segunda classe que precisa fazer um bom serviço a fim de ser promovido (com direito a ganhar um par de asas). O ser celestial tenta provar a George o quanto ele é importante mostrando como seria a vida em Bedford Falls caso ele não tivesse nascido.
Essa magnífica fábula moderna tem a assinatura do mestre Frank Capra, diretor e roteirista, de origem italiana, que fez sucesso nos EUA da década de 30, auge da Grande Depressão, com filmes esperançosos que invariavelmente mostravam caras comuns superando as falhas do sistema político, econômico e social no qual estavam imersos. A Felicidade Não Se Compra, embora do pós-Segunda Guerra Mundial, não foge à regra da filmografia de Capra, acrescentando apenas um toque de fantasia. Hoje (um tempo mais egoísta, materialista e pessimista), a obra de Capra pode soar como ingênua e piegas e é por isso mesmo que acredito que ainda seja necessária. O poder da oração (como as preces feitas por aqueles que amavam George Bailey ao vê-lo em um momento de grande aflição), a importância da família (como no sacrifício de George para salvar o irmão), a idéia de que nossa vida toca de modo significativo em infinitas outras vidas (como no clímax do filme quando George descobre que sem ele sua cidade viraria um antro e seus entes queridos seriam pessoas infelizes), o verdadeiro amor (como o de George por Mary, vivida por uma Donna Reed com olhos cintilantes) e a solidariedade (como a demonstrada pelos personagens que se unem na conclusão do filme para ajudar George em sua necessidade) nunca devem ser encarados como valores datados.
Data: quinta-feira, 20 de dezembro de 2007
Horário: 19:00 hs
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